Uma das tragédias da vida adulta: a idade limita as nossas interacções sociais. Talvez porque estamos demasiado preocupados com o nosso umbigo. Talvez não queiramos incomodar os outros.
Estas férias na praia não foram diferentes. Os miúdos a brincar na praia, reparam noutros miúdos e começam a brincar juntos. Às vezes, uma única vez. Muitas vezes de forma tímida, cada um com o seu brinquedo, prancha ou bola.
E depois existem as amizades (?) que se desenrolam à nossa frente. Começam à espera uns dos outros, a partilhar o lanche da manhã e a trazer todos os brinquedos e toalhas. Tudo ao molho!
Aqui entram os pais. Nós e os outros pais. Os primeiros contactos são apenas de cortesia. Um cumprimento, um reparo sobre o calor ou a temperatura da praia. Com o passar do tempo, ao lado dos pais dos outros a vigiar os garotos, a conversa é inevitável. Se no passado, evitava o diálogo e permanecia em silêncio. Actualmente, procuro promover o diálogo. Nunca sei o que a pessoa ao meu lado tem para me ensinar.
Este ano não foi excepção. Os outros miúdos tinham quase a mesma idade dos meus e por isso deram-se logo muito bem. E os outros pais tinham uma experiência de vida engraçada e corajosa. Com a falta de perspectivas de trabalho e com cursos superiores, rumaram à Suécia e lá se estabeleceram.
Foi fascinante saber como é viver neste país. Como, em todos os países, existem aspectos positivos e negativos. (Mas cá para mim, os positivos são diminuem em muito os negativos.)
Apesar disso, não deixam de ser portugueses. E existe qualquer coisa neste rectângulo que nos faz querer sempre voltar… Será a Saudade? Depois da Suécia, descobri que o outro pai também fora uma grande jogador de Magic e que também era fã de jogar FPS nos computadores que também montava sozinho. Mais umas horas de conversa ininterrupta!
As conversas, entre pais, multiplicaram-se e os miúdos cada vez mais cúmplices. E as férias quase no fim. Sabia que ía ser complicado para os miúdos. O meu miúdo mais velho ía adiantado que tinha arranjado um melhor amigo e se podia ir a casa dele…
Optámos por nos despedir com apenas “Até Logo”, mas o outro miúdo mais velho também não ficou satisfeito. Das nossas conversas, os outros pais tinham um ideia onde era o nosso apartamento. Por isso, os outros miúdos vieram para a rua chamar pelos nossos. E atrás deles, a outra mãe.
Queriam o nosso número de telefone. Para, quem sabe, nos reencontrarmos no futuro. Ficámos também com os números deles. E agora, ficou prometido um reencontro para a altura do Natal.
Incrível. Tudo isto por causa dos miúdos. Se tudo dependesse dos adultos, nunca teria conhecido estas pessoas.
Não dá que pensar?